terça-feira, 18 de junho de 2013

Líderes repercutem em Plenário manifestações populares

Os líderes partidários voltaram a repercutir em Plenário, nesta terça-feira, as manifestações de ontem (segunda-feira, 17), que tomaram diversas capitais brasileiras. Novas manifestações populares estão sendo convocadas pelas redes sociais para o decorrer desta semana.

O líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), disse que o Congresso precisa escutar os movimentos das ruas e fazer uma autocrítica para saber quais os erros cometidos pelos representantes que levaram a essa indignação popular. “Como um Congresso pode ser respeitado por esses jovens quando se oculta atrás do voto secreto. Como aceitar que neste Congresso tramite uma PEC 37/11, para tirar o poder de investigação do Ministério Público, órgão que impede que a corrupção corra desenfreada neste País. Se não soubermos sentir a nação, esse Congresso não tem valor nenhum”, disse.


Sampaio ressaltou o critério difuso da manifestação, que não tem uma liderança ou uma pauta clara, mas demonstra a indignação da população com vários aspectos como segurança, transporte, saúde, educação. O líder do PSDB disse que esses atos não devem ser apoderados por um ou outro partido. “Não existe lugar para oportunismo, é a indignação de todos contra toda a classe política”, disse.
Duro recado aos governantes
Já o líder do PT, deputado José Guimarães (CE), analisou que as passeatas são compostas de pessoas que chegaram à classe média nos últimos anos e agora têm outra pauta de reivindicação. “Foi um duro recado aos governantes de todas as instâncias. Trata-se da expressão do desejo de influir nas decisões, de uma classe média nova que agora quer mais inclusão”, disse.

Ele ressaltou, no entanto, que o aumento da classe média ocorreu durante o governo do PT e disse ainda que o partido foi responsável, em prefeituras, pela instituição do bilhete único, que diminuiu o custo dos transportes públicos. “Não tememos nada do que está acontecendo, porque isso não é um movimento contra a presidente Dilma”, disse Guimarães.

O petista também argumentou em favor do adiamento da votação da PEC 37, prevista para o dia 26, mas defendeu regras para os inquéritos conduzidos pelos procuradores. “O PT não quer tirar o poder do Ministério Público de investigar, mas quer estabelecer limites para que os direitos sejam respeitados e para evitar que os exageros que ocorrem se tornem regra”, disse.

DEM responsabiliza PT
Para o vice-líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), o governo do PT pode ser responsabilizado pela insatisfação popular. “Não podemos restringir ao Congresso o ônus da manifestação”, disse.

O líder da Minoria, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), disse que os manifestantes precisam cobrar a execução do Orçamento federal. “Não é algo aprovado aqui hoje ou amanhã que vai mudar as ruas, é um movimento pela falta de aplicação do Orçamento do governo e pela incompetência que não deixa o dinheiro chegar à saúde, à educação e à infraestrutura”, disse.

O vice-líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), também disse que o momento requer reflexão da classe política. Ele criticou, no entanto, que o discurso dos jovens seja incorporado à polarização entre governo e oposição. “O parlamentar ou líder que tentar transformar o importante recado das ruas em combustível para a luta entre partidos começará muito mal a interpretação, que demanda reflexão complexa e não deve ser respondida no automatismo da luta eleitoral”, disse. Ele criticou o fato de o Parlamento estar tomado por “interesses corporativos localizados”, como é o caso da PEC 37, que opõe policiais e Ministério Público. “Esse não é o tema central do Brasil, que precisa discutir melhorias no transporte público”, disse.


Para o líder do PSB, deputado Beto Albuquerque (RS), a Câmara poderá contribuir para o debate ao realizar a comissão geral para discutir a política de transportes. “é uma contribuição a uma das vertentes do protesto”, disse.

O líder do PR, deputado Anthony Garotinho (RJ), defendeu uma ação imediata por parte da Câmara. "Com medidas concretas, em defesa do povo. O povo estava revoltado porque sabe que R$ 1,2 bilhão gastos no Maracanã é dinheiro que está faltando na escola, no hospital, no posto de saúde", afirmou.

Fonte: Agência Câmara

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