segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma aliança má vista

A Arte da Negociação ensina que um bom negócio para ser sacramentado é preciso que haja concessões das duas partes, cede-se aqui, se ganha ali, até se chegar a um resultado final. Outro principio que deve envolver uma boa negociação é que os benefícios desse negócio sejam para as duas partes e talvez esteja aí a formula ideal para se compreender os sucessos e fracassos que ocorrem em muitas negociações.

Essa lógica não serve apenas para as transações comerciais, ela se aplica também nas negociações políticas. Nos dois casos, no entanto, é preciso não subestimar os indicadores sobre a probabilidade de sucesso ou fracasso do negócio e na política o termômetro para aferir se uma aliança vai dar certo ou não, é a reação do eleitor. Faço essas considerações para comentar essa possível aproximação do prefeito Roselito Soares como o PMDB.

Democraticamente as reações surgidas dos dois lados são compreensíveis, mais ainda, as que partem dos peemedebistas, ressentidos que estão com o desfecho desfavorável das últimas eleições. Para quem está preocupado apenas em criar picuinhas políticas tirando proveito disso, e este é o caso da maioria das pessoas que vive em torno do PMDB, antes por causa do ex-prefeito Wirland Freire e agora pela presença do empresário Walmir Clímaco no partido.

A idéia dessa aliança é vista como uma afronta para os seus filiados, mas esquecem essas pessoas que o isolamento das forças políticas da região tem sido determinante para município de Itaituba não ter nenhum legítimo representante a nível estadual ou federal. Daí a importância da iniciativa de entendimento dessa natureza que dependendo da habilidade política dos negociadores, poderá evoluir para uma aliança mais ampla, e se consolidada futuramente pude, porque não, resultar na eleição de um deputado estadual ou federal.

Mas a visão reacionária que toma conta da maioria dos políticos itaitubenses, acaba impondo ao município esses obstáculos, e ainda sobram criticas para quem manifesta a mínima intenção no sentido de tentar romper com esses paradigmas que enfraquecem politicamente a região.

Vejam bem, bastaram surgir os primeiros comentários sobre essa aproximação, para ecoar vozes tão estridentes quanto inexpressivas, condenando qualquer iniciativa do presidente do diretório municipal do PMDB. Só que essas mesmas pessoas nada disseram quando o PMDB absorveu em seu quadro, figuras como o vereador Peninha, os ex-prefeitos Edilson Botelho e Benigno Reges desafetos declarados de Wirland Freire o seu filho e atual presidente do partido teve que tolerar a todos eles em nome do fortalecimento do grupo.

Agora esses pseudos defensores da ética se arvoram em condenar uma decisão ainda em fase embrionária, mas interessante do ponto de vista político. Afora o ceticismo que deve pairar sobre tudo o diz o prefeito Roselito Soares, a restrição que deve ser feita a essa proposta de aliança é a indicação do nome da sua esposa para ser candidata, seja a deputada estadual ou federal, se essa for mesmo a condição é bom nem se falar mais nisso, pois com todo respeito à primeira dama, na política já bastam os desatinos que ela tem praticado como secretária de Assistência Social do município.

Para o bem de todos, inclusive do próprio prefeito seria melhor que a senhora Margarete Soares assumisse tão somente o seu papel que primeira dama. Quanto aos entendimentos para agrupar as principais correntes políticas do município com vistas às eleições do ano, não parece ser uma coisa impossível de conseguir, basta os políticos deixarem a vaidade de lado e pensarem menos e si e um pouco mais no município... Seria utopia pensar assim?

Welinton Lima: Prof/Jornalista

Blog Tapajonica

Um comentário:

  1. ”O rubor não subirá às faces, até porque nenhum sinal de ética resiste às benesses que jorram das fontes do poder”

    como a opinião pública reage diante de situações tão canhestras, como a de inimigos figadais que após duros embates se transformam em amigos cordiais? O substantivo que pode resumir o estado de espírito de muitos cidadãos é asco. E como a maioria política reage diante do asco? O verbo já foi declinado pelo deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), ao dizer que “se lixava” para a opinião pública.
    A política brasileira tem um corpo separado dos membros. Essa situação explica, por exemplo, a distância entre as decisões das cúpulas partidárias e as ações das bases. Nos estados, as alianças partidárias para 2010 serão desenhadas pela régua frankensteiniana.

    Somente resta pinçar a névoa do tempo para acompanhar Confúcio em visita à sagrada montanha chinesa de Taishan. Lá encontrou uma mulher cujos parentes haviam sido mortos por tigres. O sábio perguntou: “Por que não se muda daqui?”. Veio o lamento: “Porque os políticos são mais ferozes que os tigres”.

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